PARA 2016

Monica T Maia - o mar

 

Monica T Maia

Para o Natal, as energias do perdão.
De qualquer tipo de perdão, para qualquer tipo de ofensa.
Vamos embrulhar, com fitas coloridas, as histórias que feriram nossos corações:
Ou porque eram nossas histórias, ou porque passaram na TV.
Envolvendo-as com lindos papéis, todo o peso ruim se esvairá.

Para o Natal, as energias do amor.
De qualquer tipo de amor, para qualquer tipo de pessoa.
Com o coração leve, somos livres para descobrir o que é o Amor realmente.
Para viver, sonhar, imaginar, criar.
Novos amores, novas histórias, novas felicidades.
Podemos até recomeçar o que teve fim.

Para o Ano Novo, as energias do desapego.
De qualquer tipo de coisa, de qualquer tipo de gente.
Vamos limpar, com panos muito luminosos, todas as teias que mumificaram os nossos quereres:
Ou porque queriam ser nossas histórias, ou porque passariam a ser mais nada.
Emergindo-as com sabonete perfumado, tudo, até o cinza diáfano, se dissolverá.

Para o Ano Novo, as energias da paz.
De qualquer tipo de paz, para qualquer tipo de crise.
Com o espírito solto, somos capazes de descobrir a nós mesmos.
E de voar. Sem medo.
Com toda a gratidão.
Até no mar.

DO MICRO AO MACRO DE NÓS

De uma bela casa, uma linda vista.
De um lindo planeta, uma fantástica visão.

Visão da Casa

O inimaginável começa diante de nós, no microcosmo que somos nós mesmos.
Daí as percepções vão se expandindo e, no alongar do tempo, o macrocosmo se revela.

Visão da praia

No Universo da matéria, as mais incríveis paisagens são, realmente, as nebulosas, Tiago Somogy Boú-Rizk (https://cosmosetudomais.wordpress.com/2015/12/02/a-arte-da-poeria-estelar/).
Elas têm todas as cores, todas as formas, todos os conteúdos.

Sim, as nebulosas desenham diante da imensidão e do esplendor de bilhões e bilhões de galáxias o que conseguimos ver: a infinitude e a pequenez.

Nebulosa Jolie

Somos minúsculos. Somos minúsculos quando não enxergamos as outras pessoas.

Não enxergamos o seu contorno físico, não enxergamos suas almas.
Elas passam e, imprevidentes, não compreendemos que um grande amigo foi embora sem que o conhecêssemos. Não compreendemos que aquela pessoa, se o nosso caminho cruzou, nem que por alguns segundos, trazia alguma experiência que nos enriqueceria.
Não conseguimos compreender, muitas vezes, nem quando a pessoa atravessa meses por nós.

Somos tão pequenos que não conseguimos nem enxergar os nossos verdadeiros corações.

Visão geral

Somos infinitos.
Todas as nossas experiências, somadas, se encadeiam, alcançando o espaço sideral, entrando na corrente de várias densidades de matéria, de várias frequências, de várias dimensões.

Onde podemos parar? Se nossos prótons, elétrons e nêutrons saltam, ininterruptamente?

Como podemos medir a nossa capacidade de amar se somos infinitos?

Praia Outro Lado

Adoramos pôr limites. Adoramos nos agarrar ao medo achando que ‘não podemos’ ou ‘não conseguimos’ ou ‘não temos capacidade’ ou ‘não, não e não…’

Praia brilhante

Não olhamos para as nebulosas.
99% das vezes, simplesmente, não olhamos para o horizonte que tem brilho e esperança, não conseguimos mergulhar os pés na areia branca, não olhamos nem para o céu que é o que há de maior à nossa volta…

Nebulosa Olho

Só conseguimos aprisionar a nós mesmos.
E bastava encostar a extremidade energética do pé na ponta da menor das nebulosas.

DE JOELHOS, POR PARIS

Paris sangra. Paris chora. O mundo inteiro chora junto. No momento de uma dor desse tamanho, o medo aflora em todos os corações e, inevitavelmente, há comentários de revolta, de indignação, de raiva, de mágoa, há muita vontade de vingança. Mas, ao mesmo tempo, há milhões de comentários de solidariedade por essas pessoas que perderam a vida ou que, mesmo salvas fisicamente, vagam pelas ruas da capital francesa atordoadas, tentando entender o que aconteceu.

No momento em que o planeta foi rachado ao meio, faz muito tempo, as hostilidades se instalaram. E foram, com o avançar dos milênios, se tornando mais agudas. Para a manutenção do lucro e do poder nas mãos de alguns poucos, os povos foram incentivados a se odiarem. Ignorantes sobre a vida real, homens se tornaram máquinas de matar desconhecidos.

Quem é culpado? É sempre a primeira pergunta que fazem. Como se descobrir o autor direto modificasse algo de um destino que já se cumpriu. Não há como ressuscitar os mortos. Que a Justiça se cumpra, mas qualquer vingança só fará crescer ainda mais os ódios e os prováveis futuros atentados.

Paris foi num 13 de novembro. Nova York foi num 11 de setembro. Quatorze anos se passaram. Culpados individuais foram caçados e considerados punidos de uma maneira que, acreditavam, poria fim a esse tipo de tragédia. Caçaram meia dúzia de culpados, mas não depuseram as armas. Ocidente e Oriente continuaram se digladiando e se assassinando diariamente. As guerras por lucro – de petróleo, de armas, de poder puro e simples – continuaram como se as Torres Gêmeas e os seus mais de 3 mil cadáveres fossem ficção.

Paris sangra e sangramos juntos. Juntos, e sentindo uma tristeza infinda pela falta de tentativas verdadeiras de pôr um fim às fronteiras que separam as pessoas que habitam esse único planeta. Sentindo, no fundo da alma, a energia de milhões de seres que, anônimos nessa Terra de Deus, tentam enviar consolo e abraços com a força de suas mentes amorosas.

Paris chora e choramos juntos. Com uma vontade imensa de pôr no colo aquelas pessoas com olhares estáticos e desconsolados que vemos em dezenas de fotografias dos atentados. Sentimos desejo de estar lá, acolhendo-os. Sentimos desejo de que todo o desespero seja drenado e, com o virar das páginas da História, traga a compreensão.

A compreensão de que somos todos seres humanos. Feitos do mesmo sal e sentindo os mesmos medos. No Ocidente e no Oriente.

De joelhos, nesse momento, oramos por Paris e por todos nós!

PARIS