NA DIMENSÃO ESTRELADA

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A morte do ator Domingos Montagner é mais uma certeza da nossa impermanência.

De que somos finitos no corpo físico.

De que os prótons, elétrons e nêutrons que nos formam se volatizam em algum momento.

De que a morte é a única certeza que todos nós temos.

Mas as pessoas sempre se chocam.

As pessoas se chocam ainda mais quando a morte atinge alguém jovem.

Ou alguém no ápice do sucesso.

Lembro-me do dia 1º de maio de 1994. Repórter do jornal O Globo, deveria acompanhar naquele domingo um candidato à Presidência numa visita a Campos. Não existiam celulares. Mal cheguei e a TV anunciava: o piloto Ayrton Senna tinha acabado de bater no muro da pista de Imola, na Itália. E o Brasil parou. Consternado. Nós, jornalistas, regressamos às redações. Acho que foi o fechamento de uma edição de jornal mais emocionante que já fiz. Todos derramaram lágrimas, mesmo as mais discretas, internas. Todos, mesmo os jornalistas muito experientes e cansados de guerra.

Sim, ficamos chocados quando a morte pega alguém que deu bom exemplo, que nos proporcionou alegrias.

É como se cada um de nós ficasse menor, mais pobre emocionalmente, como se a energia daquele Ser fosse nossa.

Acredito nisso. Acredito que ficamos chocados e tristes não só porque alguém se foi. Ficamos chocados e tristes porque uma parte de nós fica incompleta.

Sentimo-nos vulneráveis. Sentimo-nos do jeito que realmente somos: seres que chegam e têm alguma data para partir.

Todos temos data para partir.

Os colegas de Domingos Montagner dizem que ele foi um grande cara, humanizado. Ayrton Senna deu exemplo internacional e deixou uma herança inestimável de ajuda aos que têm talento e poucos recursos.

São esses os caras que fazem mais falta. E talvez isso explique um pouco porque retornam mais rapidamente.

Não dá para mensurar a dor das famílias.

Só dá para dizer: eles fizeram diferença.

E, por isso, sentimos muito.

E, por isso, imaginamos que, depois dessas experiências, seus corpos energéticos ficaram muito mais fortes e vivem na dimensão estrelada.

Monica T Maia