DESEJOS DE FUTURO DE TODOS NÓS (3ª história: “O filho”)

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“Qual é a mãe que quer que o filho saia de perto de si?” Essa indagação foi a mais difícil de vivenciar desde que nasci. Quando a vi no belo blog de Sílvia Souza (http://reflexoeseangustias.com) toda a memória recente de me separar do meu único filho veio à tona. Nossa, como nós, mães, somos egoístas! Sim, queremos as nossas crias assim, sempre grudadas, como se elas nos pertencessem. Tentamos controlá-las para que não partam, para que se apeguem a nós de uma forma indelével, doentia mesmo!

Temos a vã ilusão de que “se nasceu de nós é nosso”. E aí passamos a amá-los de forma torta. Pouca disciplina e muitos desejos satisfeitos, como se isso nos tornasse a pessoa “mais legal do mundo” e os fizesse querer ficar imantados a nós indefinidamente…

Devolvo a palavra à Sílvia (http://reflexoeseangustias.com/2015/12/08/2816/):

“Se eu o amo tanto, eu quero que ele ganhe o mundo, viaje, conheça, pesquise, encante-se, emocione-se, ria e chore, viva o que houver de vida para viver”.

Só que, até certo tempo, fiz exatamente o contrário. Fiquei puxando-o para junto de mim até a corda praticamente arrebentar. Foi extremamente doloroso para ele e para mim. Sempre fomos parceiros, mesmo nos momentos em que nos desentendíamos. Ficar longe fisicamente, para mim, doeu no mais fundo da alma. Porque o amo profundamente, muito mais do que tudo. Mas, também, porque significava perder o controle.

Hoje moramos em cidades diferentes. O amor que sinto só aumenta, a cada segundo do dia. Só que o homem que ele se tornou na minha ausência deixa-me encantada quando nos encontramos. Ou quando falamos pelo telefone ou pelo computador ou energeticamente.

Meu lindo filho cresceu e está vivendo do jeito que acha melhor. E ninguém melhor do que ele para fazer suas próprias escolhas e traçar o seu destino. Tudo está em suas mãos. Como disse Sílvia, eu estarei aqui, sempre, todas as vezes que ele precisar, imaginar, sonhar. Meu apoio é incondicional. Meu amor atravessa todos os universos.

Ele me ensina, a cada dia, a amar mais as pessoas que cruzam o meu caminho. Por toda a vida ou por segundos.

Ele me ensina a perder preconceitos, a perdoar, a encostar a cabeça no ombro com delicadeza.

Ele começou a me ensinar isso no dia de seu nascimento. Ali tornei-me outra pessoa. E, cotidianamente, vou tornando-me outra pessoa, aprendendo que a maior companhia do amor é a liberdade de si mesmo.

Meu filho ensina-me que o futuro vai sendo construído. Com pedaços de mal-entendidos, com pedaços de flores, de brisas, de açúcar.

O seu futuro, o meu futuro. Qualquer futuro é de cada um de nós e dos amores – gigantescos – que sentimos.

UM LINDO FUTURO QUE NEM IMAGINAMOS…

O multicientista americano Carl Sagan dizia que se o homem desvendasse os mecanismos biológicos da fotossíntese avançaríamos anos-luz.
Transformar raios solares em oxigênio é um mistério tão complexo que nem mesmo a mais tenra das plantinhas consegue revelar.
E trata-se do ar que respiramos, de toda a Vida.

Até à Lua o homem chegou, mas a fotossíntese continua velada.
Por isso é tão preciosa a história que o amigo Eder Oelinton revela em seu blog http://suprimatec.com/2015/11/23/as-primeiras-cyber-plantas-do-mundo-fusao-entre-rosas-e-eletronica/

Rosas cor-de-rosa

O que a Ciência anda fazendo? Puseram circuitos eletrônicos dentro do caule de uma roseira viva, de maneira a desvendar o caminho que o material orgânico percorre.
As “cyber-plantas”, como estão sendo chamadas, poderiam, no futuro, multiplicar a capacidade energética saudável do planeta.
Acredito que conseguiriam mesmo equilibrar ecossistemas ameaçados.

Já imaginaram? A poluição da Grande São Paulo seria ‘comida’ por milhões de rosas cibernéticas… Ficaria tudo muito mais claro e muitíssimo mais bonito, com certeza!

Planeta Oval

Temos enfeado bastante a Terra. Estou assistindo uma série produzida por Steven Spielberg, “Terra Nova” (2011). Como é lindo o planeta que aparece na TV!

A luz chegava aqui com toda a sua força energética, com o espectro colorido intacto. Na série, a floresta e os rios de 85 milhões de anos têm um brilho que desconhecemos. Claro que é impossível saber se era assim mesmo, mas, falando sério, qualquer exercício criativo nos leva até cenários como esse.

E nos transporta a cenários no futuro.

Arco-íris nas plantas

Já imaginaram? A Terra sem um único automóvel? Com um sistema de transporte coletivo, ultra eficiente, com asas e não poluente?

Naves

Já imaginaram? A Terra inteira coberta por verde, flores e frutos, que entremeariam habitações e outras edificações de pedras, com tecnologia já existente para que fossem agradáveis no verão e quentinhas no inverno?

Já imaginaram? A Terra habitada por cidadãos de todos os tipos sorrindo uns para os outros? Sempre gentis, sempre solidários, sempre pensando no bem-estar uns dos outros?

No Futuro

E, ainda mais: já imaginaram que, com o ar limpo e puríssimo, todos seríamos muito belos, com cabelos, rostos e corpos livres de sujeiras moleculares que comprometem a saúde e a juventude?

Várias rosas

Pois é, um outro futuro deveria inspirar a todos nós.
Um futuro que tornaria realidade o que de melhor tivemos no passado.
Um futuro que jamais sonhamos antes.

O FUTURO QUE VOCÊ SEMPRE QUIS

Não se controla o futuro.
Podemos planejar, criar metas, nos esforçamos para alcançar objetivos, fazer tudo direitinho como está nos manuais. Mas, nada disso será esteio suficiente nos momentos difíceis se você não tiver a consciência de que o futuro só pertence a ele mesmo. E ele é temperamental e volúvel. Pode se modificar a qualquer instante numa fração de segundos.

Não se deposita o futuro nas mãos de seja quem for. O futuro é uma incógnita e é somente seu, por maior que seja o número de pessoas envolvidas na sua vida. Elas podem até apoiá-lo, dar-lhe carinho e compreensão, mas o seu futuro, aquele que preenche a alma, apenas você mesmo pode estabelecer.

Você é o seu passado, presente e futuro. E eles são inigualáveis: nenhum passado é nem semelhante ao seu, nem o presente, muito menos o futuro.

99% das angústias, medos, depressões, advêm de um futuro imaginário que o ser não acredita que conquistará. Ou da crença de que só aquele futuro longínquo e sem a menor sintonia com ele trará felicidade. Quantas ilusões se edificam em nossas mentes, como se disso dependêssemos para continuar respirando? Quanta energia desperdiçamos por desejarmos o que não está realmente gravado em nossos corações?

Nos atendimentos como terapeuta assisto, muitas vezes, o desejo biológico se sobrepor às necessidades energéticas. É como se os nossos átomos estivessem correndo como um rio plácido em direção ao nascer do Sol e nós, imprevidentes, insistíssemos em dar braçadas contra a correnteza rumo à noite mais escura.

Em busca de uma segurança fictícia, tentamos chegar ao futuro pelo poder, pelo controle – magoando sempre a nós mesmos, ainda que pensando que estamos só magoando o outro.

A real segurança é descobrirmos que não há nada permanente, não há nada sólido.
Se tudo é energia – átomos agrupados – então, o futuro real é ser estrela, livre; e não um personagem de um teatro cristalizado.

Que tal entregar nossas máscaras aos Universos?

Uma poupançazinha em qualquer situação é sempre bem-vinda. Vale guardar moedas para um tempo mais dispendioso.
Isso é o que podemos organizar.
O resto do futuro está entregue.
Desde o primeiro instante em que respiramos.

Deixe o futuro seguir, tratando-o, e a si mesmo, com Amor.
E tudo virá.
Até o futuro que você sempre quis.

(E que, de alguma maneira, você já passou no oceano do tempo:)

TAG “IRMANDADE DOS BLOGUEIROS DO MUNDO”!!!! Parte II

TAG Sisterhood

Olá!!
Estou postando novamente essa TAG porque recebi três convites, mas só vi dois. Ainda estava muito envolvida na internação de mamãe, que ficou três meses no hospital.

Então, depois de responder à Marcela Leão, do Blog VIVENDO SIMPLES ASSIM, e à Criss Araújo, do Blog LUA CRISS, respondo agora às perguntas de Eder Oelinton, do SUPRIMATEC. Gosto imensamente desse Blog porque ele me leva ao futuro que quero chegar. Fala sem preconceitos e sem fronteiras do que poderemos ser quando nos tornarmos mais inteiros. Fala de alma, mesmo quando fala de tecnologias… High-tech e lindo! Agradeço muito! 😉 😃

Respondendo:

1 – Qual a primeira coisa produtiva que faz quando acorda, se espreguiça e levanta da cama?
Meditação.


2 – Como foi sua experiência no jardim de infância?
Excepcional. Estudava numa escola pequena, mas muito especial. As lembranças atravessam o tempo presente e continuam dispondo bases para o dia a dia.

3 – Como se tornou um blogueiro(a)?
Considerei um bom veículo para falar sobre as transformações que vivencio e assisto.

4 – Qual o tema do seu blog?

A vida e suas múltiplas formas de felicidade.

5 – Amanha partirá um navio com algumas pessoas selecionadas e você foi uma delas, mas poderá levar 5 objetos ou uma pessoa. Se for a pessoa diga quem é, se for os objetos diga tambem quais são.

Seria mais bacana embarcar nessa aventura sem exigências. Se alguém que gostasse quisesse me acompanhar seria muito bom. Objetos? Acho que os deixaria para trás…

6 – O que faz você sentir raiva e ter vontade de espancar as pessoas?
Tenho 1,61m e 49 quilos. Não tenho força para espancar ninguém. Mentiras sempre me tiraram do sério e, faz um tempo, davam-me esse tipo de vontade (de espancar, estrangular, queimar…). Hoje, nem isso. Com o passar dos dias, a pessoa vai se desfragmentando da minha vida.

7 – Qual o país do mundo que gostaria de morar? (sem ser o Brasil :D)

Mais especificamente, gostaria de ter morado em Londres algum tempo.

8 – Qual o segredo de ser uma pessoa assim como você é?

Passei a ser a pessoa que sou hoje exatamente quando os segredos acabaram. Quando comecei a tirar as máscaras e a me esforçar para me conhecer e ser eu mesma. Quando passei a falar naturalmente sobre as minhas falhas e os meus defeitos, e até a fazer piadas sobre eles.

9 – As pessoas julgam muito pela capa, suponhamos que me encontrasse por aí pela primeira vez, como seria minha capa?
A da timidez do homem-elástico.

10 – Como se imagina daqui 10 anos?
Estudando mais, trabalhando mais, me alegrando muito mais, vivendo muito mais…

Para nos conhecermos melhor:
▪ Inserir o logotipo da TAG.
▪ Agradecer e marcar o Blog que te indicou.
▪ Responder 10 perguntas.
▪ Indicar 10 blogueiros e avisá-los.
▪ Criar 10 novas perguntas para os indicados.

Perguntas:

1 – Conte uma história real de sua rua, de seu bairro, de sua cidade ou de seu país:
2 – Qual lugar do planeta você gostaria de estar neste momento?
3 – E fazendo o quê?
4 – Qual a emoção mais forte que você já sentiu?
5 – Você gostaria de falar sobre alguma mudança (de casa, de cidade, de país, de curso, de namorado(a), de amigo(a), de trabalho)?
6 – Qual seu meio de transporte preferido? Você embarcaria numa nave espacial sem hesitação?
7 – Você tem familiaridade com a Natureza? Sente falta disso?
8 – Se você pudesse escolher sem limite de valor, como seria a sua casa? Onde você moraria?
9 – O “melhor livro do mundo” já foi escrito? O “melhor filme do mundo” já foi feito?
10 – Se você estivesse agora diante de uma multidão, o que gostaria de dizer?

E os novos indicados são:

MERAKI
CASUÍSMO
CORRENDO ATRÁS DO VENTO
O AVENTUREIRO E A SUA VISÃO
JARCY TANIA
BYA COM Y
LULU NO PAÍS DAS MARAVILHAS
SERORI
PELOS CAMINHOS DA LUZ
RACIONALMENTE FEMININA
CHOVENDO RISOS
UMBALAIODE
PANELAS AMIGAS

DESEJOS DE FUTURO DE TODOS NÓS (2ª história)

Sobre a angústia do futuro que virá.
Ou o temor da falta de tempo para novos futuros.
Continuo contando histórias:

2015-03-25 16.46.23

II – O BEBÊ SAIU PELO MUNDO

“Foi inesperado engravidar aos 23 anos. Estava iniciando a concorrida carreira de jornalista. Morava em Manaus, trabalhava num jornal local, mas sonhava bem alto – desde os 14 anos – em ser correspondente internacional. Mirei aquela avestruz trazendo no bico o pano que amparava o bebê que chegaria. Sem qualquer dúvida: positivo! Devo ter hesitado por segundos. Sim, aquele bebezinho de papel iria virar um bebê de verdade. Entrei na faculdade de Comunicação aos 16 anos e fui workaholic desde o primeiro estágio profissional. Sempre trabalhei mais do que pediam, sempre quis aprender mais. A enormidade da floresta amazônica me mostrava, a todo instante, que voar para novos horizontes dependia de um esforço extraordinário. E o lindo bebê que chegaria acompanharia isso tudo.

Por volta dos cinco meses, a barriga mal aparecendo, fui cobrir um comício das Diretas Já. Deve ser muito difícil hoje imaginar o que era, na época, a sensação de estar sendo vigiada o tempo todo. Em sala de aula, nas redações, nas manifestações. Num determinado instante, já anoitecendo, a luz da área desapareceu. A praça coberta de pessoas ficou na penumbra. Alguns de nós, jornalistas, próximos ao palanque lotado de personalidades (Dr. Ulysses Guimarães, Tancredo Neves etc.), resolvemos descer as escadarias que levavam à calçada para tentar descobrir o que estava acontecendo. Naquele instante brasileiro, aqueles comícios começavam a ser tomados por multidões e havia desconfianças de tentativas de boicote, como cortar a iluminação pública do evento. Um jornalista bem conhecido no cenário nacional resolveu caminhar até a esquina, a 50 metros, e eu, de olho no que fazia o bambambã, acompanhei-o. Quando viramos à esquerda, parecia que um homem, no alto de uma escada, mexia nuns fios de um poste. Alguns policiais vieram em nossa direção. Um deles encostou o cassetete na minha barriga. Com alguma força. Acho que não o suficiente para machucar, mas a gravidez me fez ter medo pela primeira vez na vida. Dobrei-me em duas. O jornalista me amparou. Os policiais sumiram na curva da rua. Quinze minutos depois a luz voltou.

Aquele medo inédito me fez ficar alguns dias repensando se continuaria aquela louca carreira. Daquele jeito. Não gostava de ficar sentadinha diante do telefone e da (acreditem!) máquina de escrever. Gostava de estar nas ruas. De peito aberto… Bem, claro que fiquei mais cautelosa dali pra frente. O bebê passou a ser – e é até hoje – o que há de mais importante na minha vida. Mas continuei perseguindo o sonho com toda a determinação até a minha primeira missão internacional.

Ao desembarcar em Lisboa num incrível 29 de fevereiro, ano bissexto, muito frio e uma chuvinha intermitente nos apresentaram à Europa. Meu filho estava comigo e nós não imaginávamos então que, em muito pouco tempo, conheceríamos Marcello Mastroianni ou veríamos, na Inglaterra, o funeral da princesa Diana. Tive que levá-lo a muitas coberturas porque não tinha com quem deixar. O pai ficara no Brasil”.

DESEJOS DE FUTURO DE TODOS NÓS

Uso computador há mais de 20 anos. Mas não tinha, até agora, uma intimidade real com pixels e seus significados e significantes.
Comecei, faz pouco mais de um mês, a remexer nas redes sociais. E estou impressionada. Há um palavra que grita em néon para todos nós:
FUTURO.
O que mais chama a atenção é que essa palavra também está em alta nos atendimentos como terapeuta floral. Ou a angústia do futuro que virá. Ou o temor da falta de tempo para novos futuros.
Resolvi, então, que, nos próximos dias, vou contar (e será muito bom também ouvir) umas histórias sobre desejos de futuro…

A de hoje será curta:

2015-05-07 13.03.28

I – PERDIDO ENTRE OS YANOMAMI

“Tive meu filho aos 24 anos. Mal tinha iniciado a carreira de jornalista com todos os seus malabarismos. Já entrevistara presidente da República e ministro de Estado, mas ainda tateava nos caminhos por onde aquilo tudo poderia me levar… Quando Bruno fez uns 8 meses e parei de amamentar, fui escalada para fazer uma matéria numa aldeia Yanomami, em Roraima. Naquele 1985, os Yanomami já despertavam o interesse internacional há uns 15 anos. Há reservas minerais fartas naquela região. Pus os pés no que seria a estrada Perimetral Norte já quase sumida na imensidão da floresta. E conheci um rapaz que acabara de regressar para o seio de seu povo. Ele fora ‘adotado’ ainda bebê pela morte dos pais índios. Fazia poucos dias seus pais brancos tinham-no ‘devolvido’ para que ele se ‘reintegrasse’. Estava com uns 18 anos e completamente atônito:
– Qual será o meu futuro perdido aqui? – repetia.
Ele só falava português e naquela aldeia habitada por menos de cem pessoas, apenas uma delas também arranhava o português. Estudara na cidade e ali não havia escola num raio de mil quilômetros. Nunca tinha plantado nada e olhava para a roça de mandioca como se estivesse num louco sonho…

Fiquei naquela aldeia uns cinco dias. E também fiquei imensamente abismada com as crianças. Elas corriam livremente por floresta e rio sem qualquer preocupação dos pais. Não ouvi um único gemido, uma única reclamação ou birra, um único choro. Nem de criança, nem de adulto. E olhem que vi uma onça solta bem de perto.

Só ouvi os lamentos daquele rapaz que perdeu os pais duas vezes e estava sem enxergar o futuro”.

“INTERSTELLAR”: QUAL É O NOSSO LUGAR ENTRE AS ESTRELAS?

Bom entretenimento que expande os horizontes. Literalmente. “Interstellar” é o filme mais sensacional dos últimos tempos exatamente porque não tem limites comuns. Baseado na Física mais moderna, sacode preconceitos e conceitos atávicos que são repetidos como se fossem verdades imutáveis.
2015-05-07 13.04.30
“Antes olhávamos para o céu e perguntávamos qual era o nosso lugar nas estrelas. Agora olhamos para baixo e preocupamo-nos com o nosso lugar na poeira”.
O comentário de Cooper (protagonista interpretado por Mathew McConaughey) no diálogo com o sogro Donald (John Lithgow) trata do Ser e de seus ‘por ques’. Ser piloto de naves espaciais ou ser fazendeiro numa Terra que está sendo carcomida por poeira ácida criada pelo próprio homem. Cooper ‘olha para cima’ como fez William Herschel, astrônomo alemão naturalizado inglês que preferiu descobrir os anéis de Saturno e a radiação infravermelha ainda nos séculos XVIII e XIX, em vez lutar em guerras sangrentas. Ou como fez o grego Erastótenes de Cirene (276 a.C.-195 a.C.) que mostrou que a Terra era redonda quando todos acreditavam piamente que era plana. Ou o astronomo persa Abd al-Rahman al-Sufi que descobriu as primeiras estrelas fora da Via Láctea. Enfim, há dezenas desses sábios incríveis…
Assusta-nos a perspectiva de sermos cósmicos – cidadãos de um Cosmo infinito – e não simplesmente cidadãos de uma cidade entre milhares de um pequeno planeta entre trilhões e septilhões que nem sabemos quanto são ao todo. O filósofo, escritor e educador Mario Sergio Cortella tem palestras maravilhosas sobre isso disponíveis no youtube: somente na nossa galáxia há pelo menos 200 bilhões de sóis como o nosso. Não há matemática humana que consiga contabilizar o Universo.
Além de inspirado em Ciência real – o consultor científico é o físico teórico Kip Thorne – “Interstellar” foi possível porque o diretor Christopher Nolan se despiu de qualquer fronteira que pudesse embaçar a busca pelo futuro. Se enxergar a Lua já é uma ilusão – esse astro está sempre 1 segundo no passado porque está a 300 mil quilômetros de distância – então, o que dizer sobre o que sabemos realmente? Afinal, a ‘Terra redonda’ era a ficção científica dos antigos…
Há muito o que conversar sobre “Interstellar”.