UM MOLHO DE MACARRÃO DOS DEUSES

O aroma e o sabor que fazem a alma festejar o alimento vêm direto da Natureza. Não há fornecedor igual. Você não encontrará nem no melhor restaurante do mundo: o mais fantástico de todos os molhos de macarrão.

Molho de macarrão-panela

O grande segredo estava na terra e na muda plantada por mãos amorosas. As folhas de manjericão que povoaram a panela foram tiradas de galhos que, no último fim de semana, receberam-me num lindo lugar, com lindas pessoas. É impossível descrever. Tenho certeza de que, no futuro, a tecnologia também enviará cheiros e gostos pelas redes sociais. Gostaria muito que isso já fosse possível. Morei na Europa, onde folhas são muito mais frescas nos mercados, e, nem lá, encontrei em algum tempo um manjericão que exalasse assim. E que fizesse o prato se tornar inigualável dessa maneira.

Molho de macarrão-massa

A casa parecia ter sido tomada por aquelas plantas que me rodearam no dia anterior. Fechava os olhos e era como se tivesse retornado à magia de pisar descalça no solo macio e enxergar cores e luzes entre folhas, flores e raízes. E enxergar a mim mesma cada vez mais claramente.

Sempre gostei muito mais da cozinha mediterrânea, baseada exatamente em ingredientes frescos, naturais e de ótima qualidade. Entremeados em receitas simples. Assim, reguei a panela com azeite de oliva da Grécia, juntei dois tomates grandes bem vermelhos picados, 1 colher (café) de açúcar demerara, 2 cebolas roxas pequenas picadas, sal marinho a gosto, 1 vidro grande de cogumelo fatiado e, depois de deixar cozinhando um tempo, finalmente o manjericão dessa horta abençoada.

Molho de macarrão-panela2

Só posso dizer: “Assim seja!”
O criador de todos os Universos faz todos os ingredientes que nos integralizam.
O fettuccine e o queijo fresco ralado apenas não deixaram os pés saírem do chão…

DESEJOS DE FUTURO DE TODOS NÓS

Uso computador há mais de 20 anos. Mas não tinha, até agora, uma intimidade real com pixels e seus significados e significantes.
Comecei, faz pouco mais de um mês, a remexer nas redes sociais. E estou impressionada. Há um palavra que grita em néon para todos nós:
FUTURO.
O que mais chama a atenção é que essa palavra também está em alta nos atendimentos como terapeuta floral. Ou a angústia do futuro que virá. Ou o temor da falta de tempo para novos futuros.
Resolvi, então, que, nos próximos dias, vou contar (e será muito bom também ouvir) umas histórias sobre desejos de futuro…

A de hoje será curta:

2015-05-07 13.03.28

I – PERDIDO ENTRE OS YANOMAMI

“Tive meu filho aos 24 anos. Mal tinha iniciado a carreira de jornalista com todos os seus malabarismos. Já entrevistara presidente da República e ministro de Estado, mas ainda tateava nos caminhos por onde aquilo tudo poderia me levar… Quando Bruno fez uns 8 meses e parei de amamentar, fui escalada para fazer uma matéria numa aldeia Yanomami, em Roraima. Naquele 1985, os Yanomami já despertavam o interesse internacional há uns 15 anos. Há reservas minerais fartas naquela região. Pus os pés no que seria a estrada Perimetral Norte já quase sumida na imensidão da floresta. E conheci um rapaz que acabara de regressar para o seio de seu povo. Ele fora ‘adotado’ ainda bebê pela morte dos pais índios. Fazia poucos dias seus pais brancos tinham-no ‘devolvido’ para que ele se ‘reintegrasse’. Estava com uns 18 anos e completamente atônito:
– Qual será o meu futuro perdido aqui? – repetia.
Ele só falava português e naquela aldeia habitada por menos de cem pessoas, apenas uma delas também arranhava o português. Estudara na cidade e ali não havia escola num raio de mil quilômetros. Nunca tinha plantado nada e olhava para a roça de mandioca como se estivesse num louco sonho…

Fiquei naquela aldeia uns cinco dias. E também fiquei imensamente abismada com as crianças. Elas corriam livremente por floresta e rio sem qualquer preocupação dos pais. Não ouvi um único gemido, uma única reclamação ou birra, um único choro. Nem de criança, nem de adulto. E olhem que vi uma onça solta bem de perto.

Só ouvi os lamentos daquele rapaz que perdeu os pais duas vezes e estava sem enxergar o futuro”.