DESEJOS DE FUTURO DE TODOS NÓS (3ª história: “O filho”)

005

“Qual é a mãe que quer que o filho saia de perto de si?” Essa indagação foi a mais difícil de vivenciar desde que nasci. Quando a vi no belo blog de Sílvia Souza (http://reflexoeseangustias.com) toda a memória recente de me separar do meu único filho veio à tona. Nossa, como nós, mães, somos egoístas! Sim, queremos as nossas crias assim, sempre grudadas, como se elas nos pertencessem. Tentamos controlá-las para que não partam, para que se apeguem a nós de uma forma indelével, doentia mesmo!

Temos a vã ilusão de que “se nasceu de nós é nosso”. E aí passamos a amá-los de forma torta. Pouca disciplina e muitos desejos satisfeitos, como se isso nos tornasse a pessoa “mais legal do mundo” e os fizesse querer ficar imantados a nós indefinidamente…

Devolvo a palavra à Sílvia (http://reflexoeseangustias.com/2015/12/08/2816/):

“Se eu o amo tanto, eu quero que ele ganhe o mundo, viaje, conheça, pesquise, encante-se, emocione-se, ria e chore, viva o que houver de vida para viver”.

Só que, até certo tempo, fiz exatamente o contrário. Fiquei puxando-o para junto de mim até a corda praticamente arrebentar. Foi extremamente doloroso para ele e para mim. Sempre fomos parceiros, mesmo nos momentos em que nos desentendíamos. Ficar longe fisicamente, para mim, doeu no mais fundo da alma. Porque o amo profundamente, muito mais do que tudo. Mas, também, porque significava perder o controle.

Hoje moramos em cidades diferentes. O amor que sinto só aumenta, a cada segundo do dia. Só que o homem que ele se tornou na minha ausência deixa-me encantada quando nos encontramos. Ou quando falamos pelo telefone ou pelo computador ou energeticamente.

Meu lindo filho cresceu e está vivendo do jeito que acha melhor. E ninguém melhor do que ele para fazer suas próprias escolhas e traçar o seu destino. Tudo está em suas mãos. Como disse Sílvia, eu estarei aqui, sempre, todas as vezes que ele precisar, imaginar, sonhar. Meu apoio é incondicional. Meu amor atravessa todos os universos.

Ele me ensina, a cada dia, a amar mais as pessoas que cruzam o meu caminho. Por toda a vida ou por segundos.

Ele me ensina a perder preconceitos, a perdoar, a encostar a cabeça no ombro com delicadeza.

Ele começou a me ensinar isso no dia de seu nascimento. Ali tornei-me outra pessoa. E, cotidianamente, vou tornando-me outra pessoa, aprendendo que a maior companhia do amor é a liberdade de si mesmo.

Meu filho ensina-me que o futuro vai sendo construído. Com pedaços de mal-entendidos, com pedaços de flores, de brisas, de açúcar.

O seu futuro, o meu futuro. Qualquer futuro é de cada um de nós e dos amores – gigantescos – que sentimos.

DO MICRO AO MACRO DE NÓS

De uma bela casa, uma linda vista.
De um lindo planeta, uma fantástica visão.

Visão da Casa

O inimaginável começa diante de nós, no microcosmo que somos nós mesmos.
Daí as percepções vão se expandindo e, no alongar do tempo, o macrocosmo se revela.

Visão da praia

No Universo da matéria, as mais incríveis paisagens são, realmente, as nebulosas, Tiago Somogy Boú-Rizk (https://cosmosetudomais.wordpress.com/2015/12/02/a-arte-da-poeria-estelar/).
Elas têm todas as cores, todas as formas, todos os conteúdos.

Sim, as nebulosas desenham diante da imensidão e do esplendor de bilhões e bilhões de galáxias o que conseguimos ver: a infinitude e a pequenez.

Nebulosa Jolie

Somos minúsculos. Somos minúsculos quando não enxergamos as outras pessoas.

Não enxergamos o seu contorno físico, não enxergamos suas almas.
Elas passam e, imprevidentes, não compreendemos que um grande amigo foi embora sem que o conhecêssemos. Não compreendemos que aquela pessoa, se o nosso caminho cruzou, nem que por alguns segundos, trazia alguma experiência que nos enriqueceria.
Não conseguimos compreender, muitas vezes, nem quando a pessoa atravessa meses por nós.

Somos tão pequenos que não conseguimos nem enxergar os nossos verdadeiros corações.

Visão geral

Somos infinitos.
Todas as nossas experiências, somadas, se encadeiam, alcançando o espaço sideral, entrando na corrente de várias densidades de matéria, de várias frequências, de várias dimensões.

Onde podemos parar? Se nossos prótons, elétrons e nêutrons saltam, ininterruptamente?

Como podemos medir a nossa capacidade de amar se somos infinitos?

Praia Outro Lado

Adoramos pôr limites. Adoramos nos agarrar ao medo achando que ‘não podemos’ ou ‘não conseguimos’ ou ‘não temos capacidade’ ou ‘não, não e não…’

Praia brilhante

Não olhamos para as nebulosas.
99% das vezes, simplesmente, não olhamos para o horizonte que tem brilho e esperança, não conseguimos mergulhar os pés na areia branca, não olhamos nem para o céu que é o que há de maior à nossa volta…

Nebulosa Olho

Só conseguimos aprisionar a nós mesmos.
E bastava encostar a extremidade energética do pé na ponta da menor das nebulosas.